O MUNDO TORNA-SE GRISALHO – A DIFÍCIL ADAPTAÇÃO APÓS O RETORNO AO LAR – (PARTE V)

Por Gutemberg B. de Macedo

 

“O grau mais elevado da verdadeira sabedoria humana é saber adaptar o seu caráter às circunstâncias e ficar interiormente calmo apesar das tempestades exteriores.”

Daniel Defoe, 1660-1731

Escritor e jornalista britânico famoso pelo seu livro Robinson Crusoé

 

 “Suportamos tudo: a guerra, o sofrimento, a fome, o exílio, etc. A passagem de um estado para o outro é que é terrível. O tempo de nos instalarmos.”

 George Perros, 1923-1978

Escritor francês

 

A aposentadoria é uma fase da vida que tem grande impacto sobre o aposentado, seu cônjuge e  membros mais próximos da família. Além disso, ela  provoca mudanças significativas e é comumente acompanhada por um misto de sentimentos que varia da sensação de liberdade até o sentimento de exclusão. Quanto mais apegado e orgulhoso de sua carreira profissional  mais tenderá a sentir medo de se afastar de sua empresa e voltar para seu lar de maneira definitiva.

Aqueles profissionais com maiores dificuldades de adaptação são os divorciados, separados ou viúvos que comumente apresentam “low moral”.  Acrescente-se ainda outros fatores não menos importantes como saúde deficiente, recursos financeiros inadequados, baixo status social e aposentadoria involuntária. É bom destacar que o relacionamento marital no período da aposentadoria reflete em grande medida o tipo de relacionamento que o casal mantinha antes da aposentadoria. Os pesquisadores Heyman e Jeffers descobriram que as esposas que se sentiam tristes ao tomarem conhecimento da aposentadoria de seus respectivos maridos pertenciam as classes mais desprovidas de status social, tinham uma saúde precária ou tinham um casamento considerado infeliz antes mesmo da aposentadoria. (D. K. Heyman e P. Cole, “Wives and Retirement”, Journal of Gerentology 23, 1968).

Sabemos que em termos sociais e familiares que a imagem do aposentado  esteve sempre intimamente associada a natureza de seu trabalho, a empresa onde empreendeu a sua carreira e a posição que ocupou. O trabalho era para ele o núcleo que definia a sua  importância na sociedade, sua autoestima,  seu senso de utilidade e também as oportunidades de relacionamento que proporcionava. O trabalho, sem dúvida, era o projeto que o identificava socialmente.

Era na empresa e por meio do trabalho que ele formava laços, amigos e encontrava significado. É uma verdade irrefutável – o aposentado passou a maior parte de sua vida no trabalho. Muito, muito mais tempo do que dedicou a sua  família. Sendo assim, o trabalho era parte integrante de sua identidade.

O trabalho, todos sabemos,  possibilita a evolução de homens e mulheres nos diferentes aspectos – intelectual, relacional, moral, social, econômico,  político e familiar. Nessa condição,  ao se prepararem para a aposentadoria questionam consciente ou inconscientemente as “perdas” que essa mudança provocará no curto, médio e longo prazo. Entre elas, a perda da imagem pessoal, do status social e do respeito na sociedade na qual está inserido.

Estudos conduzidos por A. Lipman indicam que ambos os cônjuges necessitam passar por transformações em seus papeis. O homem, antes provedor, passa a ser um apoiador psicoemocional e a desempenhar papel relevante em sua casa, a de co-partícipe das atividades domesticas. A esposa que anteriormente tinha a responsabilidade tradicional de administrar as atividades de sua casa tem essa atividade reduzida significativamente em função do apoio dado pelo marido, agora aposentado.

Essa transformação, segundo Lipmam,  é extremamente saudável para ambos, uma vez que que adiciona um proposito comum ao casal e solidifica os laços emocionais.   (“Role Conceptions of Couples in Retirement.”  In Aging around the World: Social and Psychological Aspects of Aging, editado por C. Tibbits e W. Donahue, 1962).

Com essas mudanças no papel de ambos, J. D. Sinnot, acrescentou que transformações de natureza psicológica podem acompanhar a vida do casal: “As  mulheres tornam-se mais assertivas, dominantes e agressivas, enquanto os homens parecem se tornar mais passivos, dependentes, submissos e menos competitivos. (J. D. Sinnott, “Sex-Role Inconsitency, Biology, and Successful Aging,” The Gerentologist 17, 1977).

Outros estudos indicam ainda que a  dependência do homem de sua mulher no período da aposentadoria aumenta de maneira mais rápida do que a dependência dela de seu marido. N. Stinnett  descobriu em seus estudos e pesquisas que os homens mais velhos parecem obter mais satisfação de seus casamentos do que as suas esposas. Outras pesquisas sugerem ainda que o marido necessita mais de sua esposa como “confidente” do que o contrário. Essa realidade se deve ao fato de que as mulheres estão mais abertas a construção de  novas amizades. (N. Stinnett , J. Collins e J. E. Montgomery, “Marital Need Satisfaction of Older Husbands and Wives.” Journal of Marriage and the Family 32, 1970).

Em adição a essas transformações,  à medida em que o  aposentado avança em sua idade, ele pouco a pouco vai perdendo a sua vitalidade física, torna-se menos interessado em cultivar novas atividades e perde também o interesse por sexo. Enquanto isso, sua mulher, geralmente mais jovem, continua em seu vigor sexual. (R. O. Blood, Jr. e D. M. Wolfe, “Husbands and Wives: The Dynamics of Married Living. 1960).

Nesse momento tão especial e singular da  vida, é preciso lembrar: o  trabalho pode ter sido a coisa mais importante para sua vida ao longo das últimas quatro ou cinco décadas como um profissional, porém o trabalho não era a sua vida e muito menos a empresa era o seu lar. Costumo repetir em inúmeras oportunidades a seguinte expressão: “Triste do homem ou mulher que  confundiu o seu trabalho com a sua vida. Ele ou ela pagará um alto preço no final de sua jornada profissional.”

A vida doméstica é extremamente importante ao longo da existência humana, especialmente no período da aposentadoria. Uma pessoa não é verdadeiramente uma pessoa saudável e feliz quando não tem um lar, onde não transborda solidariedade, respeito a individualidade e ao espaço alheio, generosidade, compaixão e compreensão.

Todos os anos quando os pássaros fazem os seus ninhos em árvore frondosa e bela na frente de meu escritório,  logo bem cedo pela manhã, eles batem em retirada e somente regressam no final da tarde. Quando  elas saem e voltam dão um verdadeiro espetáculo. Não raro, pergunto a mim mesmo: quem deu tamanha sabedoria a esses pássaros que nunca se perdem quando voltam para seus ninhos ao entardecer, a despeito do barulho e da poluição da nossa metrópole?

Nesses finais de tarde, comumente, paro as minhas atividades a fim de contemplá-los em tamanho fulgor e beleza. E, logo a seguir,  me vem a mente o seguinte pensamento: todo ser humano deveria sentir a mesma sensação de alegria que esses pássaros sentem quando voltam para os seus ninhos. Afinal, nosso lar é o nosso ninho, o centro de nossa vida, o eixo do qual se prolongam todas as nossas experiências cotidianas – boas ou más. Seja como crianças, jovens ou quando adultos aposentados ou não, nosso lar e nossa família são onde deveríamos nos sentir mais confortáveis no mundo.

Infelizmente, muitas pessoas são incapazes de apreciar a beleza de um lar feliz, alegre, amoroso e generoso também. Tudo porque elas nunca tiveram um verdadeiro lar, um ambiente acolhedor onde soubessem que eram  queridos, necessários e amados; onde não houvesse nada a temer e onde os problemas fossem tratados de maneira franca, em vez de serem ignorados ou negados; onde pudessem aprender a amar e ser amados.

Aqui vale repetir as palavras escritas de G. Kingsley Ward: “Se o seu investimento matrimonial for bem-sucedido, pode levá-lo a esferas mais altas com maior rapidez do que qualquer outra coisa que eu possa imaginar. Não há nada como o desafio de acompanhar o ritmo de uma mulher admirável para ajudá-lo a valorizar sua própria importância no mundo. […] As mulheres apreciam homens atenciosos, respeitosos, sinceros, compreensivos e companheiros ao longo de sua existência.” (Letters of a Businessman To His Son, 1985).

Existem vários fatores que contribuem para a construção de um lar sólido, amoroso e feliz no período da aposentadoria:

Primeiro  –  Preparar-se antecipadamente para esse novo ciclo da vida – a aposentadoria – visto ser ela inevitável. Essa preparação é predominantemente psicológica, porem inclui outros fatores como a financeira e o relacional.  O aposentado terá de mudar muito em todos os sentidos.

A aposentadoria pode ser um período maravilhoso para realização de novos projetos de vida, mais tempo livre e maior convivência com familiares,  desde que compreendida a realidade e expectativas daquelas pessoas que os cercam.  E que de certa forma impactam no seu bem estar. A aposentadoria não é um evento, mas  um processo e como tal necessita de planejamento e programação  de novas atividades e rotinas que ocupem o espaço definido anteriormente pelo trabalho. Caso contrário, ela pode acarretar impactos negativos, em geral, crises de identidade, porque a vida pessoal é conduzida em paralelo a uma rotina de trabalho que a sobrepõe. Nossos filhos desde criancinhas já percebem a nossa marca profissional. Nosso cônjuge também nos julga quanto a nossa capacidade produtiva.

É bom frisar que mesmo para quem festeja a chegada da aposentadoria é comum surgir ansiedade quanto a adaptação ao ambiente doméstico e familiar. Compartilhar o tempo com os familiares e ter também um tempo próprio exige planejamento de novas atividades, negociação e muita serenidade para se firmar nesse novo contexto sem procriar conflitos de todas as ordens e, sem necessariamente sentir-se um intruso.

Nossa família e nosso cônjuge a principio têm uma dinâmica própria e estabelecida. O retorno ao lar deve ser uma preocupação primeiramente daquele que se reintroduz a fim de se organizar juntamente com eles as atividades tanto conjuntas como individuais. Portanto, é de extrema importância respeitar o tempo, as necessidades e os hábitos que fazem parte da rotina de cada pessoa, incluindo o aposentado.

Segundo  – Reconhecer que a sua casa não é o seu ambiente de trabalho. Portanto, o aposentado jamais deveria tentar administrá-la com o mesmo rigor de  uma empresa. Essa é movida  por lucro apenas e nela não existe amor familiar. Enquanto a primeira é construída com carinho, amor, compreensão e solidariedade – na doença ou na saúde, na abundancia ou na escassez, no sofrimento ou na alegria. Assim sendo, o aposentado e seu cônjuge devem tornar seu relacionamento a prioridade máxima.  Eles devem passar tempo juntos, conversar sobre tudo aberta e livremente, reservar tempo para ficarem com  os filhos, netos e bisnetos (se esses últimos existirem) e desfrutar da companhia de amigos,  vizinhos e outros membros da família. Como primos, tios sobrinhos, cunhados etc. Além disso, eles devem partilhar as responsabilidades domésticas e financeiras.

Terceiro – Cultivar em todos os instantes uma atmosfera saudável e construtiva no  lar. Evite as críticas pessoais desnecessárias, os comentários negativos que não agregam absolutamente nada ao bom entendimento, as queixas infundadas que matam a compreensão mútua, entre tantas outros comportamentos nocivos.

O verdadeiro lar, caro leitor,  assemelha-se a um jardim florido de onde exala um perfume sentido a uma grande distância. Se você já teve a oportunidade de visitar a cidade de Holambra, interior de São Paulo, você compreenderá a minha analogia.

Quarto  –  Evitar  a todo custo  toda e qualquer influência  negativa em seu ambiente familiar. Essas influências negativas procurarão por todos os meios e artifícios contaminá-lo com ideias, pensamentos, histórias e comentários destrutivos. Afaste-se das pessoas nocivas. Passe longe ao percebê-las.

Nessa oportunidade, desejo lembrá-lo de alguns conselhos dados por Salomão,  estadista e intelectual judeu: “O hipócrita com a boca danifica o seu próximo”; “O que encobre o ódio tem lábios falsos e o que difama é um insensato”; “Anda com os sábios e serás sábio, mas o companheiro dos tolos será afligido”; “Uma língua saudável é árvore de vida, mas a perversidade nela quebranta o espirito.”

(Provérbios de Salomão).

Quinto  –  Como aposentado, você terá inúmeras horas completamente livre todos os dias. Nesse caso, sugiro que não desperdice o seu tempo sentado numa poltrona diante de uma televisão. “A televisão”, como escreveu David Foster Wallace, é vulgar, lúbrica e parva não porque seu público seja reles e néscio. A televisão é  como é simplesmente porque as pessoas tendem a ser extremamente semelhante em seus interesses vulgares, lúbricos e parvos, e muitíssimo diferentes em seus interesses refinados, estéticos e nobres.” (A Cauda Longa, pág. 191).

Todavia, se  for tentado a ver um Programa de Televisão, seja extremamente seletivo. Procure os melhores Programas e aqueles que contribuirão para o seu conhecimento e divertimento sadio. Sei que certas pessoas chegam a passar oito horas por dia diante de uma tela de televisão. Esse é um tempo perdido e o qual o aposentado jamais recuperará.

Há onze anos aproximadamente, 2006, li um livro extremamente bem escrito, cujo autor narrou um dialogo entre dois executivos – Lewis Lapham, editor da revista Harper, e  Larry Tisch, presidente da CBS. O primeiro desejava propor um novo programa sobre assuntos de interesse do público, contextualizando os acontecimentos correntes dentro de uma perspectiva mais ampla, histórica.

Em uma entrevista publicada no Wild Duck Review, Lapman relatou o encontro:

“Educamente, Tisk, ficou escutando o que eu tinha a  dizer para logo desencorajar-me perguntando se eu já havia assistido à televisão ou se conhecia alguém que costumava fazê-lo. Respondi que não tinha o hábito, pelo menos, não quando podia evitar. Ao que ele retorquiu “nem eu, nem ninguém que tenha algo melhor a fazer. A televisão, disse-me, é para pessoas pobres, preguiçosas  ou deprimidas demais para fazer outra coisa.”  (Michael R. Legault, THINK, 2006, pág. 135).

Atualmente, grande parcela da população reconhece os efeitos nefastos que a televisão exerce sobra as pessoas – crianças, jovens, adultos e velhos. Não se deve permitir que a televisão domine  a sua vida doméstica. Mesmo que seja muito difícil para alguns aceitar isto, o melhor mesmo seria não ter televisão alguma ou evita-la a todo o preço.

Aprecio muito a sabedoria judaica quando ensina: “O  máximo de beleza em seu lar é seu calor emocional e espiritual.” Essa beleza pode ser desperdiçada em razão de uma televisão ou computador e onde não há tempo suficiente para abraçar os filhos e os netos e dizer: “Eu os amo muito e sinto a falta de todos vocês quando não estão por perto.”

Sexto   –  Lembre-se que apesar de todos os seus esforços e boas intenções para manter a sua casa harmoniosa e feliz,  você não estará imune aos conflitos e as incompreensões. Certamente eles ocorrerão. Afinal,  somos humanos. Não somos pessoas perfeitas, mas pecadores por natureza.

O importante é saber identificar as suas causas rapidamente, discuti-los aberta e generosamente e, solucioná-los imediatamente com sabedoria e amor genuíno.

O amor, caro leitor,  é o mais poderoso instrumento com o qual podemos enfrentar os nossos problemas e conflitos. Sem ele os nossos lares transformar-se-ão em verdadeiros campos de Saigon, não importa em que ciclo de carreira estejamos  vivendo.

O apostolo São Paulo em Carta endereçada aos filipenses, escreveu: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu mas cada qual também para o que é dos outros.” (Epístola de S. Paulo Apóstolo Aos Filipenses 2. 2 e 3).

Sétimo – Observe os sinais indicativos de que caminha rapidamente para uma depressão que pode  custar-lhe a saúde ou a própria vida.

Enquanto pesquisava para escrever este artigo, li sobre uma profissional extremamente estimada e querida em sua organização tanto pelos seus talentos pessoais como pelas suas atitudes positivas e construtivas.

Certo dia, inesperadamente, ela anunciou que iria se aposentar e curtir um pouco dos anos que ainda lhe restavam. Todos os seus colegas de trabalho ficaram chocados com a sua decisão e tentaram dissuadi-la ao contrário. Mesmo assim, ela permaneceu firme em seu propósito de se aposentar.

Meses depois de sua aposentadoria, as coisas não andaram tão bem como ela havia pensado. Ela foi  tomada por grande e profunda  tristeza que a conduziu a uma depressão que quase a levou a morte, não fosse a ajuda e solidariedade de seus ex-colegas de trabalho.

Felizmente, essa executiva foi salva e deu continuidade a sua vida prestando serviços a comunidade.  E o que você dirá de tantos outros aposentados que preferem a morte à aposentadoria?  Nesse sentido, vale lembrá-lo o triste suicídio praticado por um ex-presidente de grande banco internacional  –  ele se atirou do 13 andar do edifício onde morava e deu fim a sua própria vida. Que final triste e doloroso.

Sim, caro leitor, a depressão pode levar homens e mulheres  ao suicídio.  Ainda assim, a depressão pode ser prevenida e tratada. Vale registrar que o numero de pessoas que vivem com depressão, segundo  a Organização Mundial de Saúde, vem aumentando – 18% entre 2005 e 2015. A estimativa é que,  atualmente, mais de 300 milhões de pessoas de todas as idades sofram com a doença.  A OMS alertou que a depressão figura como a principal causa de incapacidade laboral no planeta.

No Brasil, a depressão atinge cerca de  5,8 % da população, um total de 11,5 milhões de casos.  O índice é o maior da América Latina e o segundo maior das Américas, atrás apenas dos Estados Unidos.  (Paula Laboissière, Repórter da Agência Brasil, “No Dia Mundial da Saúde, OMS alerta sobre depressão”, 07 de abril de 2017, Brasília).

Segundo matéria publicada no jornal O Globo sobre Saúde, a depressão atinge 9,2% dos idosos no Brasil. A depressão costuma ser acompanhada de sonolência, falhas de memória, mudanças de comportamento, como agitação, irritação. O idoso se torna calado, pouco espontâneo e demonstra perda de interesse em atividades, inclusive de lazer.

Na aposentadoria, caro leitor, cultive o bom humor, pratique atos de bondade, desenvolva a sua espiritualidade, fortaleça os seus laços familiares, amplie as suas amizades,  brinque com as crianças, alie-se a pessoas mais jovens do que você, sorria para as coisas boas ou ruins, não leve a  vida muito a sério, cultive novos hábitos e hobbies, namore bastante com seu cônjuge, faça uma visita ao seu médico regularmente, participe de atos religiosos que contribuam para o fortalecimento de sua fé.   Tudo isso o protegerá contra o estresse e uma possível depressão.

Caro leitor, se você é um aposentado ou está em via de se tornar um deles,   desejo  fazer-lhe uma pergunta simples, objetiva e direta: “Você considera a sua casa o seu verdadeiro lar, o lugar mais importante de sua vida, ou simplesmente um lugar para parar e passar a noite, após  longos anos de trabalho?

Ao longo de minha carreira consultiva nas áreas de Coaching Executivo, Outplacement e Pré-Planejamento de Aposentadoria,   tenho aconselhado muitos profissionais completamente infelizes sobre essa questão. Eles me dizem textual e abertamente: “Gutemberg, não sinto nenhum prazer em voltar para a minha casa todas as noites. A minha cama se tornou uma cama cheia de espinhos. A voz de meu cônjuge me irrita tremendamente…  Confesso que grande parte de meus fracassos pessoais e profissionais nos últimos anos se devem a essa questão.”

Não sou psicólogo, apesar de ter feito inúmeros  cursos de psicologia  como estudante de Teologia nos Estados Unidos,  porém   posso afirmar à luz de minha experiência profissional, estudos solitários (autodidatismo), pesquisas e conversas com milhares de profissionais que quando um membro de uma família se preocupa principalmente consigo mesmo e a sua carreira, a família não está apenas destinada a sofrer, mas  também a si  autodestruir. Por outro lado, quando todos os membros da mesma família partilham princípios, valores e objetivos, ela cresce forte, unida e feliz.

Há uma expressão proferida por  Cristo  que diz: “Mas conhecendo ele os seus pensamentos,  disse-lhes: Todo o reino, dividido contra si mesmo, será assolado; e a casa, dividida contra si mesma, cairá.” (Evangelho de São Lucas 11.17).

Caro leitor, encare essa transição como algo extraordinário e uma oportunidade para você deixar um legado, não importa qual. Transforme o seu lar em um porto seguro e um farol que ilumina a sua rua, o seu bairro e a sua cidade.

 

 

 

7 thoughts on “O MUNDO TORNA-SE GRISALHO – A DIFÍCIL ADAPTAÇÃO APÓS O RETORNO AO LAR – (PARTE V)”

  1. Muito bom! Bom demais! Concordo totalmente com a condição de se considerar sua casa seu verdadeiro lar. Temos que ter prazer de voltar pra casa, condição básica para que sejamos felizes. E acima de tudo, respeito. Se ocupar, também, é primordial. Como tudo na vida, precisamos nos planejar para a aposentadoria, montar um plano de negócios, como aborda-la, para poder usufruir com qualidade todos os momentos. Não simplesmente se entregar ao ócio, mas saber equilibrar atividades e passa-tempos. Se ocupar, saber compartilhar, e reservar tempo, também, para sua individualidade. Equilíbrio e ponderação são cruciais. Saúde financeira, também, daí a importancia do planejamento deste momento, tão importante em nossas vidas. Aposentadoria é mais uma etapa na nossas carreiras. Grande artigo, Gutemberg. Sempre surpreendente.

  2. Prezado Gutemberg,
    Boa tarde.

    Já estivemos juntos algumas vezes. Na ultima vez voce esteve fazendo uma apresentação no Grupo G3 de Recursos Humanos, aqui em S.Paulo.
    Já li vários artigos seus com dicas muito importantes para a transição de carreira, etc. mas, sem duvida, esse foi o melhor. Não me recordo de um outro artigo tão importante como este para as pessoas em transição de vida.
    Parabéns e tenho certeza que será de grande ajuda a nós que estamos nos aposentando.
    Forte Abraço.

    Orlando Lopes Jr.

  3. Gostei muito do artigo. Ele é profundo e o Gutemberg estudou bastante e acrescentou a sua experiência com inumeros Executivos que estão prestes a se aposentar. Parabéns!

  4. Gutemberg, muito relevante o tema da aposentadoria, pontualmente, a “volta” ao lar.
    Penso que nossa vida familiar deve caminhar junto com nossa carreira e trabalho.
    As atividades e sentimentos se complementam e não se excluem.
    A atenção com o cônjuge, familiares e a casa devem estar presentes todos os dias.
    De maneira a não nos sentirmos “como estranhos” quando a rotina familiar passa a ocupar mais tempo em nossas vidas.

  5. Mestre Gutemberg, mais um artigo maravilhoso, verdadeiro e reflete o semear da vida. Quem semeia tem sua colheita garantida. A família é a base de sustentação na carreira e na vida. Caminhar juntos, é o que Deus nos direciona, basta seguir!!! Fique com Deus!!!

  6. Cada artigo da série nos faz refletir mais profundamento sobre o tema. Uma situação inevitável, que depende da escolha de cada um, continuar produtivo com mente e corpo sãos, ou se entregar ao ostracismo irreversível.
    Parabéns, Mestre!!!

  7. Mestre, muito bom o artigo. A Familia é a coisa mais importante de nossas vidas e feliz aquele que consegue passar mais tempo de sua vida ao lado deles. Tenho isto como objetivo pessoal e me sinto melhor quanto estou com minha familia. Trabalho sim é importante, mas apenas como um meio para ter condição futura de estar mais tempo com a familia.

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