MITOS SOBRE O PROCESSO DE OUTPLACEMENT

Por Gutemberg B. de Macedo

                                                                                                                           

“A verdade é cruel, mas pode-se amá-la; e ela liberta aqueles que a amam.”

 

George Santayana, 1863-1952

Filósofo, poeta e ensaísta espanhol

 

O Outplacement, técnica e prática de gestão de recursos humanos, foi introduzido no Brasil na década de 1970 (1973). Lembro-me que naquela época havia uma empresa muito conhecida em São Paulo e instalada nos Jardins que anunciava esse serviço no Jornal O Estado de S. Paulo usando os seguintes termos: “Garantimos o seu Emprego.”

Desde então, temos visto com apreensão o surgimento e a proliferação de empresas de outplacement no país, muitas delas, desprovidas de qualificações técnicas, humanas e de ética profissional.

Não faz muito tempo, a renomada revista brasileira, Você S.A., teve uma de suas edições proibidas de circulação no mercado pela justiça paulista porque trazia em uma de suas edições matéria em que denunciava de maneira elegante, justa e bem embasada uma dessas empresas. É uma pena, visto que desperdiçam recursos financeiros que muitas vezes não têm, afora os prejuízos psicológicos.

A batalha jurídica se arrastou por vários meses até que finalmente, a revista recebeu da justiça autorização para ser distribuída e vendida.

Quem quer que visite o site do PROCON encontrará denúncias e mais denúncias contra algumas dessas empresas. Infelizmente, muitos profissionais não são cautelosos, ou frágeis no induzimento ao erro, ao contratarem os serviços dessas empresas.

Tenho 39 anos de experiência na condução de projetos de outplacement para grandes empresas nacionais e multinacionais instaladas no país em nível individual e em grupo.  Estudo e pesquiso esse assunto com verdadeira devoção. Tenho em minha biblioteca particular mais de 350 livros sobre o assunto. Escrevi o primeiro livro no Brasil sobre essa matéria – “Outplacement, A Arte e a Ciência da Recolocação” –, além de ter publicado centenas de artigos.

Ao longo desse período ouvi inúmeras histórias contadas por profissionais que verdadeiramente envergonham consultores honestos, cultos, preparados, sérios e éticos na condução de projetos de outplacement.

Essas histórias me inspiraram a escrever o presente artigo, “Mitos sobre o processo de Outplacement”.

 Eis alguns deles:

 Primeiro Mito – O consultor vai conseguir ou já tem em carteira o meu emprego.

Essa é uma visão equivocada. O consultor não vai ao mercado de trabalho a procura de um emprego para seu cliente. É o cliente que terá de trabalhar árdua e duramente para conquistar a sua posição no mercado de trabalho.

O papel do consultor é preparar o seu cliente para que ele seja bem-sucedido em sua prospecção – a conquista de novo trabalho, a constituição do negócio próprio ou empreender qualquer outra atividade compatível com os seus objetivos.

Segundo Mito – Se eu optar por uma empresa multinacional de consultoria, eu terei mais chances de me recolocar rapidamente no mercado de trabalho.

Esse é um erro de avaliação que pode custar muito caro ao executivo temporariamente disponível no mercado. O simples fato da escolha de uma empresa de consultoria multinacional para assessorá-lo em fase de transição  não lhe garante uma recolocação.

Conheço inúmeros profissionais que abraçaram esse mito e se deram muito mal. Eles nunca atingiram os seus objetivos – a recolocação bem-sucedida.

O ideal é que o executivo avalie e julgue quem é o melhor consultor para assessorá-lo em sua transição. Questione seu nível de preparo, experiência, trabalhos publicados, prêmios individuais que conquistou ao longo de sua carreira e referências, entre outras ações. 

Terceiro Mito – A empresa multinacional de outplacement vai conseguir um emprego para mim no exterior.

Sim, reconheço que algumas consultorias estrangeiras acenam com essa possibilidade no momento da venda de seus serviços. Esse é um argumento de sedução enganoso. Elas não vão cumprir o que prometeram, até porque elas não fazem recrutamento profissional. E, se fizerem, violam um princípio ético abraçado por empresas de outplacement no mundo inteiro.

Além disso, existem aspectos jurídicos, sociais, políticos e trabalhistas relevantes à considerar quando se deseja trabalhar no exterior. Essa não é uma tarefa nada fácil. 

A minha empresa já fez inúmeros trabalhos de recolocação no exterior de executivos expatriados aos seus paises de origem, tais como, Argentina, Alemanha, Áustria, Estados Unidos e México. Entretanto, jamais usamos do expediente de prometer recolocá-los no exterior.

Caro leitor, o que verdadeiramente garante a sua recolocação no mercado de trabalho são as suas credenciais acadêmicas, sua imagem pessoal, seu nível de reputação no mercado, o grau de sua experiência, os resultados que obteve ao longo de sua carreira, pensamento e visão estratégicas, mente global e disposta à cultivar novos aprendizados e experiências, entre outras questões não menos importantes.

Portanto, não é o nome de uma empresa nacional ou multinacional e os argumentos de que se utilizam para vender os seus serviços que o tornarão bem-sucedido. Não é ainda um escritório luxuoso, porém muitas vezes sem alma que vai fazer a diferença em sua transição de carreira. É a sua competência, sua rede de relacionamento, sua exposição aos headhunters, sua visibilidade no mercado e o grau de sua empregabilidade.

             

 

One thought on “MITOS SOBRE O PROCESSO DE OUTPLACEMENT”

  1. Grande Mestre, é uma verdade, existe grande quantidade de falsos profissionais que vendem o que não podem entregar. O pior é que muitos caem nesta armadilha, acreditam porque seu momento é de dificuldade e anseiam retomar o mercado, se entregam de olhos vendados às mentiras dos “falsos profetas” que vendem ilusão. Boa alerta, pois para retomar o mercado nada melhor que estar preparado, buscar conhecimento e atualização, situação que deve ocorrer ao longo da carreira. Fique com Deus!!!

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